quinta-feira, 1 de agosto de 2013

No tempo em que uma barra de sabão era diversão

JOSÉ CARLOS SERRANO

Apesar de ser fácil, para mim, arranjar rolamentos para fazer carrinhos, porque o meu irmão trabalhava numa oficina, era a verdadeira loucura, escorregar em tábuas untadas com sabão!

No início da minha rua havia uma rampa, a pique, junto à loja de Móveis Pombal.

Não tinha trânsito e era fácil arranjar tábuas, por baixo da loja era a oficina.

Bastava uma tábua, onde se pudesse sentar, apoiar os pés, as mãos por baixo das pernas, segurar bem e manter o equilíbrio.

Antes de sair de casa ia ao quintal, onde a minha mãe tinha um tanque de lavar a roupa, metia ao bolso um bocado de sabão azul e branco, e pronto, enquanto houvesse sabão, era diversão garantida e algumas esfoladelas, porque nem sempre corria bem!

Um dia colocaram um sofá no lixo, foi uma maravilha!

Colocámos umas tábuas por baixo dos pés, como se fossem skis, nas laterais, onde se colocavam os braços, pregámos uma tábua de cada lado, só com um prego, para podermos acionar como travão (quando se fazia força encostava no chão e fazia de travão), dava para dois, um sentado e outro atrás, de pé, escusado será dizer que era uma descida alucinante e arriscada, mas com muita diversão.

Éramos putos e não mediamos o perigo!

Essas descidas foram proibidas. Havia uma Senhora que tinha um galinheiro no final da rampa e onde ia todos os dias dar de comer aos bichos.

Um dia escorregou na descida, fruto de sabão a mais!

Acabaram as descidas, ali naquele sítio!

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