domingo, 12 de janeiro de 2014

No tempo em que aprendi o que era lavar móveis


JOSÉ CARLOS SERRANO

Quando fui morar para Gouveia comecei a frequentar uma oficina de restauro de móveis, onde, por curiosidade e gosto por coisas velhas, comecei a fazer uns biscates. Ajudar a passar à lixa, envernizar pequenas peças.
Até que um dia me foi proposto lavar uma cadeira, que estava envernizada, com amoníaco. Operação que aceitei e fiz!

Com muito cuidado, na rua, ao ar livre, um balde de água, meio, com amoníaco misturado; luvas de borracha, longas, grossas, uma esponja!

Começa-se, suavemente, a passar a esponja e o verniz começa logo a sair. A água muda logo de cor. De seguida outra operação, para limpar o amoníaco e clarear a madeira, passar com ácido muriático. Fica a lavagem feita.

Depois, secar muito bem, ver as peças descoladas e fica o restauro no bom caminho. De seguida lixar e dar o acabamento.

Trabalho concluído com sucesso!

Noutro dia foi-me proposto lavar uma mesa, de cozinha, pintada.

Aí, outra aventura!

Uma lata, de tinta (vazia), e caldar cal. Ou seja, uma pedra de cal a dissolver com água. Começa a “ferver”. Ao mesmo tempo, misturar um pouco de soda cáustica. Tudo com muito cuidado. Sempre a misturar água, fazer uma pasta espessa, que fica muito quente, de seguida, umas luvas, de borracha, grossas e, na rua, com uma escova, começar a “barrar” a mesa, que, com a pasta tão quente e forte, começa logo a tinta a sair.

Começas logo a ver a cor da madeira!

A operação deve ser feita com cuidado e sempre com água corrente.

O resultado é eficaz e fica-se com a madeira, toda, à vista.

De seguida, passar bem com água e a operação para “clarear” a madeira e “limpar” da cal e da soda caustica, com ácido muriático.

Limpeza feita, lavagem efetuada!

De seguida o processo normal: os dias de secagem, passar  à lixa, colar o que é preciso, envernizar ou encerar, conforme o gosto.

Grande aprendizagem!

Com o tempo passei a fazer este trabalho por minha conta, em minha casa, também como hobby,  para muitos comerciantes e restauradores.

Lavei louceiros, camas, móveis de farmácia e mercearias, ou seja passei a lavar toda a espécie de móveis.

Universo a que estive ligado vários anos, mas que, por motivos de doença, abandonei.

Curiosamente, sei que, hoje em dia, não existe  ninguém que faça tal coisa!

Apesar de ser um trabalho perigoso e sujo, era gratificante!

Ver a beleza das peças, em estado natural, sem as camadas de tinta e barramentos, que as pessoas faziam ao longo dos anos, por épocas ou por moda.

Retirar a tinta de um móvel é como abrir uma carta fechada. Nunca se sabe o que se vai encontrar por baixo. Ou tinha muitas camadas de tinta e barramentos, ou podia estar queimado, com maçarico, ou completamente cheio de bicho!



Curiosidades. 

4 comentários:

  1. Muito obrigada pelas excelentes dicas.

    Bem haja por partilhar!

    Maria

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  2. Bem....acho que fiz asneira....se me puder ajudar... eu lavei mesmo ums mesa (penso que de mogno)com....soda caustica...fiquei com a mesma escura e com manchas onde passou a 1ª água...pensei que ficasse um pouco mais clara (há uns anos lavei um louceiro desta forma e ficou, será que terei que usar o tal ácido muriático?!
    se me puder dar uma ajudinha...agradeço.
    Bem haja por partilhar as suas experiências.
    Obrigada
    Isabel

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    1. Boa tarde peço desculpa porque só hoje vi a pergunta, terei todo gosto em responder a tudo envie msg no facebook , Obrigado

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