terça-feira, 26 de janeiro de 2016

In Memoriam Maria Almira Medina

ANTÓNIO LUÍS LOPES











"eras o desenho, não o que desenhavas. eras

as palavras, não o que elas diziam. eras a menina

girassol no olhar vivo e fugidio, não envelhecias.

terna alma agitada, doçura agreste, por vezes

o mar das Azenhas em dias de tempestade, de outras

a mansidão da Pena na tarde cálida de Agosto.

eras a lâmina, não a ferida. eras a causa, não a moda.

eras o grito, nunca o silêncio.

eras tu. apenas tu. imensamente tu. correndo da Foz

para a nascente. pintando o céu de vermelho.

adoçando o fel. chorando sem motivo ou rindo até

chorares.

Hoje levantei-me cedo, olhei a Serra pela

janela de casa

e vi desenhar-se o teu rosto."
 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Melomania-Memento

PAULO BRITO E ABREU
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 
MELOMANIA-MEMENTO

( avoco, para a Musa, o Arcano e Arcaico da estética Estrela )

Perdida eternamente,
Pra sempre, sempre morta,
A Bela está presente
E bate à minha porta.

Visita-me em segredo,
Às horas mais caladas,
Crisóloga no credo,
As mãos amendoadas.

E Bela volta à campa,
Com passos de veludo,
A Nela que foi estampa,
A Dona que foi tudo.

E eu digo, eu digo à Dona:
«Não vás, ó deia amiga!!!»
Mas ela, que apaixona,
Tão frol, numa cantiga,

É Paz, calor e mente,
É liga, junco, porta,
Amada eternamente
Mas nunca, nunca morta.

AD AUGUSTA PER ANGUSTA